SOMOS MESMO UMA NAÇÃO DE VIRA-LATAS?

Estava esses dias em uma conversa entre amigos e comentei o quanto gosto da Cultura Americana e como gosto da Disney, rapidamente um dos meus amigos disse que eu sofria do Complexo de Vira-Lata. O termo me deixou curioso e mais tarde fui atrás para saber o seu significado.

Minha reação enquanto lia sobre era de negar que sofria desse mal; não é porque eu gosto de viajar e gosto tanto da Disney que posso ser diagnosticado com o tal Complexo de Vira-Lata. Só que o comentário do meu amigo me fez pensar: será que lá no fundo, bem no fundo, essa fascinação toda pela América tem alguma coisa a ver com o complexo de vira-lata?

Para quem não sabe, o Complexo de Vira-lata é uma expressão criada pelo dramaturgo e escritor brasileiro Nelson Rodrigues. O contexto da expressão vem da derrota desastrosa do Brasil para o Uruguai na Copa do Mundo de 1950. O termo ficou tão famoso que resiste até o dia de hoje e passou os limites do esporte, sendo usado em vários outros sentidos. Esse complexo faz com que a gente veja tudo que é relacionado ao Brasil de forma negativa e inferior, atingindo os mais diversos setores, produtos, serviços e comportamentos.

Para pra pensar, você nunca ficou impressionado com um estrangeiro em terras Brasileiras? Nunca pensou em morar fora do País? Nunca fez um comentário como “AHhhhhh isso dá certo porque não é no Brasil !?”

Se pararmos para pensar isso acontece em outros pontos de nossas vidas. Pode ser uma simples visita de um turista, um estudante que venha fazer um intercâmbio, um executivo transferido para trabalhar por um tempo, filmes, livros, músicas, viagens e muito mais.

No turismo a coisa se mostra ainda mais clara, e eu faço parte disso, por mais que possa me doer falar. Quantos de nós preferem ver o mundo lá fora a conhecerem o nosso próprio Brasil? É claro, turismo no Brasil é caro, mas ainda assim muitos de nós preferimos converter a nossa moeda, tão desvalorizada, e passar uns tempos no exterior. Eu conheço mais a América do que o Brasil. E você?

Só que essa nossa impressão de que tudo no exterior é melhor não é totalmente verdade. Quando colocamos nosso pensamento crítico para trabalhar, vemos que não é bem assim. É lógico, o Brasil tem problemas terríveis e que agora, mais do que nunca, estão mais presentes. Mas essa generalização de que tudo que vem de fora é melhor do que o Nacional é um tanto quanto equivocada e absurda.

Fica claro que nossa colonização também contribui para o complexo de vira-lata. Éramos inferiores aos portugueses e, como um país construído artificialmente, vimos a nossa cultura ser criada a partir de influências estrangeiras, principalmente portuguesas, francesas e britânicas. Algo unicamente brasileiro, que viesse diretamente do povo, jamais seria aceito pelas elites, que achavam tudo que era europeu melhor, mais bonito. Miscigenação, algo intrinsecamente brasileiro, era visto como algo inferior, a causa de todos os males.

Combater o complexo de vira-lata não é ser nacionalista, mas é ter o senso crítico que te faça perguntar por que um estrangeiro é elevado às estrelas. Só porque ele nasceu em um país melhor? É ver que no Brasil temos muita coisa boa, é perceber as nossas riquezas. É valorizar a nossa identidade, os nossos produtos e profissionais. Não podemos nos acomodar com esse sentimento de inferioridade, como se nós não tivéssemos a capacidade de revertemos a situação atual do Brasil.

De fato, o nosso país se encontra numa espiral de decadência política, econômica e até social. E isso tem várias explicações que vão além do complexo de vira-lata, mas que têm uma conexão estreita com a maneira brasileira de ver o mundo. É a nossa malandragem, o nosso comportamento corrupto que condena os políticos, mas que passa aquela graninha por baixo para evitar uma multa, a desigualdade social que passa despercebida, o racismo velado entre muitos outros itens...

Infelizmente o complexo de vira-lata se tornou uma parte dessa psiquê que se caracteriza como inferior ao estrangeiro, mas malandro com relação ao conterrâneo, porque temos que tirar vantagem de tudo. Uma cultura na qual ser certinho é ser idiota, estudar é só para gente besta e ser radical nas redes sociais é o máximo. Como seguir em frente desse jeito?

Acredite, o jeitinho brasileiro não tem nada de charmoso.

Mas eu acredito que a educação é uma forma de consertar – ou amenizar – certas causas, temos que acreditar também em nosso potencial, em quem somos. Temos muita gente boa no país que está tentando melhorar a cada dia. Que se esforça para entregar produtos de qualidade, que se esforça para ser reconhecida, que educa seus filhos de que o “Jeitinho Brasileiro” deve ser levado em consideração quanto a alegria de viver, não no sentido de passar o próximo para trás. Temos que ser vistos como um país de gente criativa e não de malandros e Vira-latas.

Os problemas do Brasil são complexos, profundos, e é claro que eu, na minha mínima capacidade de Palestrante e Educador, não tenho respostas concretas para todos esses problemas. Mas tenho uma coisa: BOM SENSO e procuro evitar essa onde de pessimismo e corrupção que parece inundar todos os brasileiros.

Vejo todos os dias como brasileiros conseguem se destacar em diversos ramos da economia, ciência, literatura, artes e o que mais a gente procurar na internet.

Estão vendo como não temos nada de inferior a ninguém?! Quem sabe um dia, nossa geração mostre justamente isso... Que ser brasileiro é algo para se orgulhar. Assim vou seguindo com meu trabalho, fazendo sempre o melhor que posso e entregando o trabalho com maestria.

Mostro que sou Brasileiro sim, e que aqui temos muita gente profissional e que não deixa nada a desejar se comparada a qualquer "raça" do mundo.

O bom de ser Vira-Lata é que nos adaptamos em qualquer lugar. Afinal, quem disse que é ruim ser Vira-Lata?

42 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo