TEORIA DAS JANELAS QUEBRADAS

Atualizado: 17 de Jul de 2019

Você já ouviu falar da TEORIA DAS JANELAS QUEBRADAS?


Essa teoria apareceu nos Estados Unidos, por volta de 1994, quando o então prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, instituiu a política do TOLERÂNCIA ZERO. O que acarretou na melhora quase imediata dos índices de criminalidade da cidade.

Na realidade essa teoria surgiu bem antes, quando o cientista político James Q. Wilson e o psicólogo criminologista George Kelling publicaram um estudo na revista Atlantic Monthly, em 1982. Nesse estudo eles estabeleciam uma relação direta entre a DESORDEM e o CRIME.

Esse estudo consistiu em abandonar carros exatamente iguais, ao mesmo tempo, em bairros diferentes dos Estados Unidos. Um veículo foi deixado no Bronx, bairro nova iorquino mais pobre e com alta taxa de criminalidade e outro foi deixado em Palo Alto, uma região mais nobre da Califórnia, que possui baixíssimos índices de criminalidade.

Depois de alguns dias, o experimento, que possuía alto viés Comportamental revelou o que, naturalmente, todos já imaginam. O carro abandonado no Bronx foi vandalizado e depredado em pouco tempo. Criminosos levaram tudo que podiam, de rodas a equipamentos de som, além de quebrar vidros, amassar a lataria e rasgar os bancos. Em contra partida, o carro abandonado na cidade de Palo Alto permaneceu sem qualquer dano, ileso e em perfeito estado.

Até ai, o estudo não parece revelar nada de mais, apenas uma auto afirmação de nossos próprios PRÉ-CONCEITOS. Porém esse foi apenas o primeiro resultado de uma primeira parte do experimento. Depois desse primeiro resultado, os pesquisadores avançaram para uma segunda etapa, quebrando uma das janelas do carro que estava na rua de Palo Alto.

A consequência foi quase imediata, o carro foi depredado e teve seus itens roubados da mesma forma que aconteceu antes no Bronx.

Então, Qual é a conclusão tirada dessa experiência?

A desordem e o desleixo geram mais confusão e deixam as pessoas mais à vontade para aumentarem a própria desordem. Podemos facilmente interpretar o pensamento das pessoas de Palo Alto. O vidro quebrado levou as pessoas a acreditarem que o veículo foi abandonado, sem dono. Transmitia uma ideia de descaso e de abandono, influenciando assim as pessoas daquele lugar a praticar crimes, uma vez que elas entendiam que não havia lei e nem propriedade relacionados ao veículo.

Dessa forma, a Teoria das Janelas Quebradas, nos mostra claramente que um ambiente abandonado, sujo e deteriorado aumenta a ocorrência de comportamentos que vão contra as boas condutas, como aumento do vandalismo, aumento da poluição e até mesmo de outros crimes mais sérios como violência e roubo.

Claramente podemos aplicar essa teoria em diferentes áreas da nossa vida, como por exemplo no nosso trabalho, na nossa casa e até mesmo na nossa vizinhança. Vamos focar aqui na parte corporativa e em como essa teoria pode ser usada do ponto de vista corporativo.

Sabemos que atualmente as grandes empresas esperam que seus funcionários assumam o papel de "proprietário". Hoje, muito tem sido dito sobre o conceito de propriedade em corporações de sucesso, como uma posição ou atitude que todos deveriam adotar, começando com os gerentes que são os principais influenciadores e formadores de opinião dentro de suas organizações. Fala-se muito sobre o influenciar pelo exemplo e que a boa cultura de uma empresa segue sempre a gravidade, ocorre sempre de CIMA PARA BAIXO.

Será que nosso ambiente de trabalho possui locais ou setores com acúmulo de lixo, materiais abandonados ou mesmo com equipamentos quebrados por muito tempo. Isso com certeza passa uma imagem ruim para clientes e principalmente para os próprios funcionários.

TEMOS AQUI AS JANELAS QUEBRADAS DO NOSSO TRABALHO.

A consequência dessas “Janelas Quebradas” pode ser gigantesca, pois acabamos de ver que um local sujo, tendo a gerar mais sujeira e um local descuidado é capaz até de promover comportamentos nocivos aos funcionários e aos negócios.

Tudo bem, já está claro que Desordem gera Desordem, mas como interromper esse ciclo tão perigoso? Precisamos aqui fortalecer a cultura do “OLHAR DE DONO”, precisamos colocar na cabeça de nossos gestores que o local de trabalho deve ser cuidado com zelo, como se fosse, e por vezes é, a segunda casa deles. Os gestores precisam adotar a postura de TOLERÂNCIA ZERO quando qualquer coisa, por menor que seja, possa tirar a ordem e organização do trabalho. Pode ser um problema em equipamento, a limpeza de um local, ou em casos mais graves, a demissão de uma pessoa que não se encaixa na ordem da empresa.

Todos já percebemos que as empresas não estão mais exigindo somente o conhecimento técnico. As empresas querem os colaboradores que são comprometidos com a visão, a missão e os valores da organização, querem pessoas que são engajadas.

Sabe quem tem se destacado nesse cenário atual? Aqueles colaboradores que se sentem e agem como o dono. Aqueles que realmente fazem a diferença dentro do seu local de trabalho e na liderança de sua equipe.

Portanto, o gestor atual deve assumir, de fato, o papel de dono, cuidando melhor de seu ambiente de trabalho. Não podemos esquecer ainda, que um bom ambiente de trabalho influencia diretamente na satisfação das pessoas que tem contato com ele, sendo clientes, colaboradores ou fornecedores.

A missão de propagar essa satisfação pertence a todos, e deve começar nas pessoas que estão ocupando os mais altos cargos. Os gestores conseguem influenciar suas equipes através dos mais simples exemplos, como pegar um pedaço de papel no chão ou providenciar o concerto de um equipamento parado.

Por fim conseguimos perceber que a “Teoria das Janelas Quebradas” nos ensina que uma pequena ação, mesmo tomada de forma involuntária, pode influenciar cada vez mais as pessoas a cuidarem dos seus ambientes de trabalho, buscando a melhoria contínua dos processos para o sucesso da empresa.

Uma ação positiva, tomada por um gestor influente, pode desencadear uma cascata de boas práticas e um aumento significativo da satisfação geral das equipes.

Por que não cuidar da empresa como se fosse sua? Pare de ser um simples empregado; seja o DONO.
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